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O que é Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade?

Hoje, escolhemos falar de algo que na rotina de neuropsicólogas nos acompanha com grande frequência. O que temos em grande demanda no consultório são crianças, de uma forma geral, com problemas de comportamento e/ou acadêmicos. E percebemos isso como uma grande angústia do próprio paciente, da família e até mesmo da escola.

Na maioria das vezes essa criança vem com queixas, como: “ele é preguiçoso e não gosta de estudar”, ou: “estou cansada das reclamações da escola sobre as atitudes impulsivas dele” e até: “fazer lição de casa se tornou algo torturante na minha família”.

O que muitos pais e até mesmo profissionais da área não sabem, é que ninguém escolhe agir assim, e que um transtorno em uma criança pode ser mais comum do que se pode imaginar.

Por isso, esta semana resolvemos abordar um tema um tanto polêmico, o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Polêmico, pois gera muitas discussões, já que alguns dizem que o TDAH foi algo inventado pela indústria farmacêutica para que assim aumentassem seu número de vendas ou que é usado como desculpa pelos pais que não sabem dar limites aos seus filhos.

O TDAH é um transtorno que vem sendo estudado desde 1978, mas que apenas recentemente recebeu este nome, portanto ao contrário do que muitos pensam o TDAH não é um transtorno da era tecnológica, o nome não era o mesmo e algumas definições sofreram alterações, mas é importante ressaltar que o transtorno vem há anos sendo estudado.

Mas afinal, o que é TDAH?

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que se caracteriza pelo déficit na atenção, hiperatividade eimpulsividade, muito mais elevado do que o “esperado” em relação a idade da criança e nível de desenvolvimento, então foge daquilo que é “coisa de criança” como todos dizem e chega a um nível muito maior, pois pode se estender até a vida adulta.

É importante analisar caso a caso, já que nem todos os que têm este transtorno são hiperativos.

O TDAH se divide em três subtipos: 1 – Predominantemente desatento; 2 – Predominantemente hiperativo/impulsivo e; 3 – Misto ou combinado.

Vamos entender um pouco sobre cada um?

Desatento

tipo desatento é aquele famoso “desligado” ou no “mundo da lua”, que talvez esteja quase sempre “viajando”.

Nestes casos, são normalmente menos agitados, sendo mais comum em meninas. Este tipo precisa ter cuidadores bem atentos, pois costuma passar despercebido por mais tempo, pois as pessoas costumam achar que a pessoa é assim mesmo e só é lento, distraído ou sonhador.

Esta criança pode apresentar dificuldade em manter a atenção numa conversa, o que consequentemente traz impacto na vida social.

Já na vida acadêmica, ele não consegue ter a atenção necessária para aprender, pois até uma mosca voando ou o colega passando no corredor é mais interessante do que o conteúdo e por isso tem dificuldade em fixar a matéria.

Como tem a dificuldade em manter o foco, na leitura oscila nos pensamentos que normalmente não tem nenhuma relação com o conteúdo do que deve ler.

Tende a perder materiais, roupas e esquecer de passar recados.

Hiperativo/impulsivo 

little cute boy on playground outside, hanging

tipo hiperativo/impulsivo poderia dizer que é o mais famoso, literalmente, pois tem fama de “pestinha”, “espoleta”, “arteiro”, é a pessoa que vive “ligada no 220w” e todos o conhecem pelo seu perfil chamativo.

Sua característica principal é uma inquietude motora, ou seja, ele não consegue ficar quieto ou parado, não consegue ficar sentado no lugar e não consegue esperar sua vez. Mas a inquietude não se reserva apenas a parte motora, a criança tem tanta ansiedade por falar que pode chegar a interromper a conversa dos outros.

Por ter muita dificuldade em conter seus impulsos e acabar agindo “sem pensar”, é muito frequente que este subtipo venha acompanhado de rompantes de agressividade, devido a falta de controle de seus impulsos.

Levando em consideração sua idade, pode ser uma criança que costuma trocar bastante de brinquedos e atividades, pois nenhum prende sua atenção por muito tempo, como se tudo fosse entediante.

É preciso tomar muito cuidado com as queixas, pois, pode ser taxado apenas como uma criança difícil e não receber o tratamento adequado.

Combinado ou Misto 

combinado ou misto é exatamente os dois primeiros juntos, é aquele que hora é desligado e hora parece “movido a motor”, é agitado e desatento, um pouco de cada um dos que foi descrito acima, mas ainda assim fora do esperado.

Por ser muito confundido com o “normal de criança”, pode passar despercebido por mais tempo na vida da pessoa, com isso os impactos muitas vezes são sentidos mais na vida adulta, pois este leva um desempenho acadêmico mediano e seu comportamento também oscila entre o que é considerado “normal” e o que “merece broncas”.

O TDAH só acontece com crianças?

A resposta é: não!

O TDAH não é transtorno da infância, ou seja, uma criança com TDAH será um adulto com o transtorno e isso é conhecido por poucos. O TDAH não tem cura, apenas tratamento!

O ponto necessário a ser esclarecido aqui é que não se pode esperar o mesmo comportamento que uma criança com TDAH tem em um adulto com TDAH e é por essa razão que muitas vezes se esquece de pensar neste transtorno em pessoas que já estão na vida adulta.

Pelo TDAH ser de ordem genética, muitos pais acabam descobrindo-se TDAH, durante a avaliação dos filhos e conseguem entender o porquê de tantas dificuldades até aqui, principalmente quando eles precisam responder escalas sobre comportamento e neurodesenvolvimento dos seus filhos, por isso é muito importante que a avaliação neuropsicológica seja completa.

Meu filho tem esses sintomas, será que ele tem TDAH?

É indispensável ao pensar no TDAH, que tudo o que foi dito aqui como exemplo de sintoma deve impactar a vida da pessoa tanto na vida acadêmica, quanto na vida familiar e social.

Como não é possível escolher se comportar de uma maneira em casa e de outra na escola, quando se trata de um transtorno, se esses sintomas ou características não prevalecerem na vida da pessoa nesses três contextos, então provavelmente não estamos falando de uma pessoa com TDAH.

Caso, você se identifique ou perceba esses sintomas no seu filho, investigue se há esse transtorno de fato na vida da pessoa, pois este pode explicar muitas questões que causavam angústia, depressão e baixa autoestima por não serem compreendidos e sentir-se incapazes.

Buscar um profissional capacitado para avaliar e ajudar no diagnóstico torna-se indispensável para levar uma vida mais organizada e psiquicamente saudável.

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