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Você sabe o que é Dislexia?

Atualmente, a dislexia faz parte dos Transtornos de Aprendizagem, e destes, é o mais comum e mais estudado, é também a condição que mais se associa a outros transtornos (de neurodesenvolvimento e psiquiátricos).

            Sabe-se que a dislexia atinge cerca de 4 a 6% da população mundial e é de causa genética. O maior índice é em homens e leva a severas consequências na aprendizagem, principalmente na leitura, ou seja, quanto mais severa a Dislexia, maior é inabilidade do sujeito em ler e escrever.

            Apesar das maiores causas da Dislexia serem genéticas, há fatores ambientais que também podem potencializar as chances do transtorno se manifestar, se o jovem já tiver uma predisposição genética como: uso de drogas por parte da mãe na gestação, prematuridade, baixo peso ao nascer, anoxia neonatal e epilepsia.

            De forma pontual, a criança disléxica, apresenta dificuldade em unir um processo decodificador entre o som e a imagem das letras, na recuperação de memória verbal (decorar músicas, por exemplo), problemas articulatórios e motores na fala aplicada ao processo de leitura, baixa compreensão e representação do que é lido, déficit em nomeação rápida e em soletração.

Como detectar a Dislexia?

            Sabemos da importância do diagnóstico precoce, e na dislexia não é diferente.

            Os sintomas do transtorno não são apenas pedagógicos, mas também clínicos. Nos primeiros 5 anos, algumas crianças já podem dar indícios de Dislexia, demonstrando dificuldade na linguagem, na memorização (para cantar e decorar músicas) e na sequência de tarefas motoras, nesta idade o fechamento de diagnóstico não é possível, mas intervenções específicas para essas dificuldades já podem e devem ser feitas.

            Não há nenhum exame médico, nem os de imagem, como tomografias, ressonâncias, entre outros, que possam dar diagnóstico de Dislexia.

            Precisamos estar atentos a qualquer um destes sintomas e se permanecem por mais de 6 meses:

  • Leitura de palavras de forma imprecisa;
  • Falta de compreensão sobre o que é lido.
  • Erros ortográficos e da expressão escrita, não esperados para a escolaridade (gramática e pontuação);
  • Dificuldades com números e para aplicar os conceitos aprendidos no dia a dia.

A criança com dislexia, tem um desempenho muito abaixo do esperado em atividades acadêmicas, no trabalho e no cotidiano, e isso deve ser claro nos testes usados pelos profissionais especializados, além da avaliação clínica feita pelo médico que acompanha esta criança.

            Essas dificuldades devem aparecer em tempo de idade escolar, ou seja, na infância e com o passar do tempo isso pode dar impressão de uma evolução irregular.

            Hoje em dia, os únicos meios de investigação são clínicos, com testes individualizados e com equipe multidisciplinar, com psicopedagogo, neuropsicólogo, fonoaudiólogo e médico neurologista.

            O papel da escola em casos deste tipo é fundamental, pois parte da escola o encaminhamento desta criança a profissionais especializados, com relatórios detalhados de desempenho e evolução pedagógica.

            É indispensável que estes profissionais que acompanham a criança, entendam que o diagnóstico de dislexia, se inicia através da exclusão de outros fatores sócio culturais, econômicos, auditivos e visuais, antes de caminhar para o diagnóstico de dislexia.

           Para fechar este diagnóstico, além da criança apresentar os sintomas por no mínimo 6 meses é necessário que ela seja submetida a intervenções psicopedagógica e fonoaudiológica por outros 6 meses, somente após este período os sintomas permanecendo, é que se pode afirmar que ela é disléxica.

E o tratamento, como funciona?

            É muito importante que o médico que acompanha esta criança haja em conjunto com a escola, por meio de orientações psicoeducativas e direcionamento da equipe multidisciplinar.  E ainda encaminhar orientações por escrito para que a escola saiba como agir com este aluno, pois sempre são necessárias intervenções pedagógicas diferenciadas para esta criança, o que é garantido a elas pela lei.

            A Dislexia é uma condição do sujeito, por isso vale lembrar que não há cura, portanto, a escola precisa estar comprometida com as sugestões dos profissionais, para adaptar as atividades até o ensino médio. É fundamental identificar os pontos fortes desta criança e lembrar que sua dificuldade é essencialmente na leitura, por isso ele precisa de adaptações onde tenha opções de outras formas de aprendizagem e isso irá perdurar para o vestibular, faculdades e até mesmo condições de trabalho.

            O tratamento do Disléxico é interdisciplinar e a abordagem terapêutica tem eixos importantes como: Medicamentos (não há medicamento para a dislexia, mas sim para as comorbidades que podem agravá-la, como TDAH, transtorno de humor e transtornos de ansiedade), intervenções linguísticas e cognitivas (com fonoaudiólogo e psicopedagogo), psicoeducação com a escola e a família, além de que essa criança precisa “aprender a aprender”.

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